domingo, 19 de outubro de 2014

G. M. Q. - Carta à fonte do Esquema

Pai, estou cansado desse padrão de distância e fúria. Atualmente nos trocamos mensagens ou nos falamos e eu logo sei que você não está bem disposto. Da última vez que nos encontramos tivemos um bom tempo de pai e filho cuidando da casa. Falando das ações. E em seguida, um de seus desabafos. Eu fiquei uma semana sem conseguir dormir... com pesadelos e fui obrigado a parar de tocar meus planos para fazer manejo de ansiedade. Além disto a conversa ativou meu esquema de fracasso: Em outras palavras passei o mês me sentindo fadado a falhar em tudo. Isto é algo que eu não quero que volte a ocorrer, todo o tempo agora me é caro. Eu quero manter contato, quero minha família perto. Por isso preciso que você mude sua forma de agir, se envolva mais e talvez você volte a pensar e principalmente agir como alguém que me admira.

terça-feira, 18 de março de 2014

C. S. B. - Sobre a hipercompensação dos esquemas

Eu achava que estava tudo bem. Aluna aplicada, a filha que minha mãe pediu a Deus, profissional dedicada, todos diziam. Mas no fundo, pra mim, eu era muito diferente disso. Vivia de um jeito muito confortável para o mundo... mas e pra mim? Pra mim não importava muito e o pior, eu nem me dava conta. Todo mundo me aplaudia mesmo... 27 anos dessa vidinha de casca perfeita, mas tão doída por dentro. Eu sempre estava bem e, se não estava, dava um jeito de ficar. Me negligenciei sem me dar conta do crime que estava cometendo. Até que um dia percebi que não estava mais ‘dando conta’ daquilo sozinha... e depois de tanto relutar decidi começar a terapia. Yasmine foi a minha primeira terapeuta, e que sortuda fui, de cara! Cheguei desconfiada, sem querer abrir o jogo... aos poucos comecei a confiar e me surpreendi ao descobrir tanta “sujeira” embaixo do tapete da minha vida, tanta coisa mal resolvida, tanto sofrimento que eu nem sei como sublimei (ou transformei em punição). Sofri, chorei tantas vezes, como eu nunca me permitia fazer. Ela me ensinou a entender, e entendendo tudo ficou muito mais fácil. Percebi que precisava reunir ferramentas pra por o meu plano de mudança em operação. Fazia as tarefas de casa, ganhava umas “balinhas” como ela gostava de brincar e aos pouquinhos a minha transformação se fazia. Então com o tempo, antes mesmo dela me parabenizar pelos comportamentos, eu comecei a percebê-los. Eu comecei a me respeitar. Eu comecei a me achar linda. Eu comecei a me adorar. Eu comecei a me enxergar de verdade, sem os vieses que a vida me deu. Não há riqueza que pague o valor disso pra mim. Não há palavras que consigam expressar a minha gratidão a Yasmine. Acredito no poder de se fazer o bem, e que ele é capaz de se multiplicar. Espero fazer para os meus pacientes a diferença que o seu trabalho e a sua pessoa fizeram na minha vida. Você plantou uma flor maravilha no meu coração! Obrigada!!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

R. R. C. - Sobre o TOC

Quando eu descobri que tinha TOC eu estava sem vida social, sem esperança e com depressão. O período mais difícil foi quando eu não sabia que tinha a doença, achava que aquelas obsessões eram verdadeiras e que eu tinha um destino terrível pela frente. Já havia me consultado com um profissional que não soube me diagnosticar corretamente e eu passei por um período em que não conseguia me levantar da cama, não conseguia comer direito, chorava em média duas vezes ao dia, não ia ao trabalho, tinha me afastado dos meus amigos e da minha família. Acho que minha melhora começou a partir do momento que eu sentei no consultório de Yasmine. Saber que outras pessoas já tinham passado por aquilo e tinham ficado boas me encheu de coragem para enfrentar o TOC. Hoje em dia eu me considero curada, foram alguns meses de tratamento que me ajudaram não só a ficar boa como a me conhecer melhor. Dizem que o melhor período de ganho em conhecimento e experiência é o período mais difícil da vida de alguém, concordo com isso. Eu gostaria que todos soubessem que é possível sair do fundo do poço, com força de vontade e tratamento qualquer um pode ficar curado. Gostaria de agradecer também, mais uma vez, a Yasmine, poucas pessoas me passaram tanta confiança assim de primeira e saber escolher bem o profissional que te acompanha nesse momento é de suma importância. Obrigada por tudo!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

L. C. M. - Sobre a Loucura

É, a loucura, a mais libertadora das emoções. Sob o seio da loucura já não existe mais culpa ou pudor, não existe o certo e o errado, talvez até a vontade ou a necessidade inexistam para o louco, e isso decerto o torna o mais livre dos seres. Livres de todas as amarras, livres da imputabilidade da lei positiva, e, quem sabe, até da lei divina, porque mesmo Deus em sua misericórdia há de se resignar diante de um ser que age sem a faculdade mental. Não, não estou à beira de enlouquecer, por falta de talento para tal. De qualquer forma, como tudo na vida se baseia em aprendizado, seja este por teoria ou por experiência, penso que já me dei ao direito de negar absolutamente minha mente e agir sem qualquer razão, ir onde não queria, contrariar alguns preceitos sócio-culturais, agir impensadamente, ou mesmo li sobre isso, nem sei, mas talvez nesse momento tenha provado bem de longe o gosto da liberdade. Temos em nós algo que chamamos de impulsividade e deve ser este o único traço da loucura que é permitido a todos conhecer. E constranger. O que de fato importa é que não encontrei até então nada que se comparasse à liberdade do louco e o seu institucional direito de viver solto (aliás, com base na não-mente do louco - que se danem os institutos, pois seriam livres mesmo sem qualquer conivência social). Assim exercem seu impulso de perambular, dizer ou calar o que quiser, sair sem hora pra voltar, mas voltar pra onde, se um louco não tem destino, só desatino...? Ah! Antes que soe estranho, não quero ser absolutamente livre, até gosto da minha prisão particular, tudo que traço nesse minuto são apenas divagações baseadas no comum medo de enlouquecer que adentra os consultórios (ou os diálogos entre amigos confidentes), e então pensei que poderia ser, essa ideia, abraçada como um alento pra quem tem medo de viver louco. Tenha o consolo de viver livre. A liberdade é para poucos.