Primeiro me apresento, sou avó de um moleque, um garoto
trans, Thiago Legal Uchôa.
Tenho o privilégio de ser sua avó, muito orgulhosa de sua
luta e vida, tenho também muita gratidão a “aquele ser superior” que me
permitiu nesta vida acompanhar sua trajetória.
Ninguém nasce forte, as adversidades da vida nos transformam
em pessoas fortes. Nos tornamos fortes quando temos “vitórias”, porém mais
fortes ainda quando temos “derrotas” e não nos deixamos abater, juntamos os
nossos pedaços e seguimos em frente lutando, até alcançarmos nossos objetivos.
Na minha vida tudo foi luta contra os preconceitos.
Primeiro, nasci mulher, de uma mãe solteira, ser
discriminada quando criança por não ter pai é duplo sofrimento, a falta que um
pai faz e o preconceito dos que tinham os dois.
Ser mulher, em uma época em que se era educada para ficar em
casa cuidando do marido e filhos, e querer estudar, ter uma profissão era outra
batalha.
Como nasci pobre, para estudar ganhei uma bolsa de estudos
em um colégio para meninas da classe alta.
Ali foi que sofri todo tipo de preconceito.
Já estava cursando a faculdade quando também me tornei mãe
solteira, e ainda por cima de gêmeas.
Como foi difícil conciliar estudar, trabalhar e ser mãe, sem
um companheiro ao meu lado para ajudar!
Porém nesta etapa da vida, já tinha me tornado forte, tão
forte, mas tão forte, que podia enfrentar qualquer coisa que a vida me pusesse
à prova.
Sempre disse aos meus amores, os filhos que gerei no ventre
e os que gerei no coração, certo ou errado vou sempre estar ao seu lado, conte
comigo sempre, se tiver que lhe dizer que você está errado vou lhe falar, porém
vou estar junto ajudando com as consequências que virão.
Quando Thiago me disse que era um garoto transgênero, eu não
sabia o que isso significava e fui procurar me esclarecer, me informar sobre o
tema, compreender o que esta revelação significava.
Não tinha ideia de como uma criança pode sofrer por ser de
um gênero no corpo do outro, como quis tirar dos ombros dele este sofrimento!
Não podia, não se pode carregar o sofrimento alheio, porém
podia ajudar a secar as suas lágrimas, a fazê-lo sorrir, a dormir nos meus
braços, ajudar a enfrentar a vida e as pessoas que não sabem o que é ser
”diferente”.
Não se escolhe nascer assim ou diferente. Simplesmente se
nasce, gordo ou magro, preto ou índio, homo ou hetero, trans... Se nasce com a
bela diversidade deste planeta.
Simplesmente assim.
Certa vez escrevi para ele que o nome que ele ganhou ao
nascer tinha uma estória linda.
PERDÃO, filho, mil vezes perdão.
Lindo é você, sua coragem, linda é a sua
vitória, lindo é seu nome Thiago Legal Uchôa.
Este nome é que tem um estória linda, de muitas lutas e
muitas vitórias. Seu caminho nesta vida não é fácil, é de luta, mas sua família
é de muitos lutadores e nós estamos juntos.
Sempre juntos, unidos, porque só conseguimos ser felizes se
todos estiverem felizes.
Nós seremos sempre superiores àqueles que tem preconceitos;
vamos ultrapassar, superar e ir além, exceder e como você disse: TRANSCENDER.
Porque esta é a sua luta e também a luta de sua família.
“É POR ISSO QUE EU LUTO. LUTEMOS”.
Historia de luta,, história de superação, história de companheirismo, história de respeito e sobretudo HISTÓRIA DE AMOR!! lindo!!! Lindo!!! Lindo!!! Bjs
ResponderExcluirComo te amo irmã, e sei como vc me apoia na luta contra o preconceito.
ExcluirHistoria de luta,, história de superação, história de companheirismo, história de respeito e sobretudo HISTÓRIA DE AMOR!! lindo!!! Lindo!!! Lindo!!! Bjs
ResponderExcluirMuito orgulho de perceber mais uma vez que o ser humano pode transcender. Tenho o privilégio de conhecer um membro da família. Vocês sem dúvida alguma fazem jus ao sobrenome Legal que ostentam.
ResponderExcluirÉ fundamental para mim poder contar com o apoio dos familiares dos meus pacientes, assim como é importante para o próprio paciente sentir que sua rede de apoio é confiável e presente. Foi uma honra poder publicar o depoimento de Tereza aqui no blog!
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