Há vida. Ainda que
ávida de partir, pois partida a alma, ainda há vida.
Havida
pelo abandono, pela dor de não mais ter, esquece-se de ser.
De espera
já nem cansa, de tão longa espera, delonga espera que desespera, que corrói
cada pensamento, o que cansa é já não ter o que esperar.
Repousa
na certeza de que o tempo não volta, não vai passar, mas o tempo passa, pensa.
Do
silêncio ouve o profundo do seu eu ecoando distante, longe da superfície,
dizendo que há vida escondida atrás da dor, adormecida está a vida.
Eis que do último suspiro um fio de paz alivia. E se ali via saudade,
agora vê vontade de saudar. Ali onde via a dor, só a lembrança vê. E sentiu
alívio quando ali viu que ali há vida.
O tempo, ha tempo ,sempre o tempo, o melhor remédio para a dor, ele " o tempo" , dono de todas as terapias, ele nos mostra onde esta escondida a força que nos da vida, que nos da alegria, de um dia olhar o passado como ele de fato é. Já foi, não nos alavanca mais e nos deixa viver o presente e sonhar com o futuro.
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