Pode
parecer negativo o que vou dizer, mas não existe felicidade nessa vida. Não
essa felicidade que ditam por aí, que tanto ouvimos falar e nunca vimos e nem
sentimos. A vida é difícil, vida é dura e é sofrida. Nunca vamos poder nos
preparar para certos eventos que nos acontecem ou que (pior) acontecem com
aqueles que amamos. Quando soube do atropelamento do meu pai senti um buraco se
abrir no chão. Senti toda a agonia e raiva que uma pessoa sente ao saber de uma
notícia dessas. Simplesmente não conseguia ficar parada, não sabia se chorava,
não sabia se gritava, não sabia se ia ao hospital, não sabia se me acovardava,
não sabia o que fazer. Calma e decidida o suficiente resolvi ir vê-lo no outro
dia, estava irreconhecível. Fiquei por 14 dias acompanhando ele, travei uma
luta contra meu corpo e minha alma. Cuidei dele num hospital em que as
enfermeiras nem se quer me ajudavam a dar um banho. Ia durante o dia, à noite
ia minha mãe (Já separada dele havia 25 anos) ou meu namorado ou algum parente,
dos poucos que puderam/quiseram ir. “Mas qual o motivo disso?” “Ele sempre foi
uma boa pessoa”, eu me perguntava toda noite. Minha cabeça viajava e as poucas
horas que tinha de descanso se tornavam uma tormenta. Eu pensava tanto que adormecia
a maior parte das vezes já de manhã quando tinha que me levantar. Faltei
emprego, emagreci, fiquei gripada, fiquei com amigdalite, fiquei acabada,
esgotada e não me arrependo de nada. Se pudesse teria feito tudo isso de novo.
O caso dele sempre foi grave e apesar da esperança nós não escolhemos quem fica
e quem parte. Ele foi embora daqui, mas nunca irá embora da minha vida. Os
momentos que eu tive com ele antes e depois do acidente eu nunca vou esquecer e
nem quero. Felicidade plena não existe, o que existe são os momentos felizes
que nós passamos com quem a gente ama. E o amor é o mais importante nessa vida.
Não faz nem um mês que ele faleceu, mas eu estou aqui. Eu estou viva e querendo
viver. Quero viver pra ser tudo aquilo que ele desejou que eu fosse. Existe em
mim uma certeza, ninguém está nessa terra em vão e cada caminho é único e feito
pra cada um de nós. É importante sempre manter em mente o seguinte: Nós não
podemos controlar o externo, mas nós podemos controlar o interno. “Você nunca sabe a força que tem. Até que a sua única alternativa é ser
forte.”
Obs.: Tenho
29 anos e fui diagnosticada com TOC e depressão em maio de 2013, não tenho
sintomas da doença desde outubro de 2013. Eu já me sentia curada e hoje eu
tenho certeza disso.
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