sábado, 29 de agosto de 2015

R. R. C. - Minha dor também me curou

Pode parecer negativo o que vou dizer, mas não existe felicidade nessa vida. Não essa felicidade que ditam por aí, que tanto ouvimos falar e nunca vimos e nem sentimos. A vida é difícil, vida é dura e é sofrida. Nunca vamos poder nos preparar para certos eventos que nos acontecem ou que (pior) acontecem com aqueles que amamos. Quando soube do atropelamento do meu pai senti um buraco se abrir no chão. Senti toda a agonia e raiva que uma pessoa sente ao saber de uma notícia dessas. Simplesmente não conseguia ficar parada, não sabia se chorava, não sabia se gritava, não sabia se ia ao hospital, não sabia se me acovardava, não sabia o que fazer. Calma e decidida o suficiente resolvi ir vê-lo no outro dia, estava irreconhecível. Fiquei por 14 dias acompanhando ele, travei uma luta contra meu corpo e minha alma. Cuidei dele num hospital em que as enfermeiras nem se quer me ajudavam a dar um banho. Ia durante o dia, à noite ia minha mãe (Já separada dele havia 25 anos) ou meu namorado ou algum parente, dos poucos que puderam/quiseram ir. “Mas qual o motivo disso?” “Ele sempre foi uma boa pessoa”, eu me perguntava toda noite. Minha cabeça viajava e as poucas horas que tinha de descanso se tornavam uma tormenta. Eu pensava tanto que adormecia a maior parte das vezes já de manhã quando tinha que me levantar. Faltei emprego, emagreci, fiquei gripada, fiquei com amigdalite, fiquei acabada, esgotada e não me arrependo de nada. Se pudesse teria feito tudo isso de novo. O caso dele sempre foi grave e apesar da esperança nós não escolhemos quem fica e quem parte. Ele foi embora daqui, mas nunca irá embora da minha vida. Os momentos que eu tive com ele antes e depois do acidente eu nunca vou esquecer e nem quero. Felicidade plena não existe, o que existe são os momentos felizes que nós passamos com quem a gente ama. E o amor é o mais importante nessa vida. Não faz nem um mês que ele faleceu, mas eu estou aqui. Eu estou viva e querendo viver. Quero viver pra ser tudo aquilo que ele desejou que eu fosse. Existe em mim uma certeza, ninguém está nessa terra em vão e cada caminho é único e feito pra cada um de nós. É importante sempre manter em mente o seguinte: Nós não podemos controlar o externo, mas nós podemos controlar o interno. “Você nunca sabe a força que tem. Até que a sua única alternativa é ser forte.

Obs.: Tenho 29 anos e fui diagnosticada com TOC e depressão em maio de 2013, não tenho sintomas da doença desde outubro de 2013. Eu já me sentia curada e hoje eu tenho certeza disso.

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