Sou muito
sincera quando digo que não imaginei em nenhum momento que pudesse te ofender
apenas por comentar que tinha opiniões distintas em relação a fé. Não tive e
não me vejo em condições de ter algum dia um diálogo que te diminua sob
qualquer circunstância, mas a partir do que houve pude entender um pouco mais
de mim. Uma pobre visão egoísta, mas transformadora.
Hoje sei que
por me sentir tão ferida, me transformei em alguém capaz de provocar feridas.
Não, eu não sabia que era assim e quantos devem ter sido os momentos que feri e
não dei importância por estar tão fechada num mundo que só eu enxergava.
Em nenhum
momento questionei *Carlos sobre o que houve e entendi também o silêncio dele
como parte de alguém que eu não conheço tanto mas amo e respeito. E me descobri
também capaz de não culpar o outro por algo que era de minha responsabilidade.
Não assumindo uma culpa diante do que aconteceu, mas assumindo a
responsabilidade que me cabe diante do ocorrido como sendo a única que me
pertence. Revendo meus passos e me preparando para finalmente agir de forma
diferente com o outro, assumindo que tenho sim essa capacidade de ferir e que é
algo que me incomoda profundamente, portanto deve ser repensado.
Eu nunca me
senti amada até pertencer a um lugar e dentre todos que hoje pertenço, foi com
vocês que me percebi pela primeira vez. Apesar de ter sentido e gostado eu não
sabia agir diferente e por ser aceita, achei que poderia continuar agindo como
eu achava que fosse, mas eu sempre fui amarga, tanto que aprendi que era a
única forma de ser. Mas na verdade não é.
Não sei se
estou conseguindo me fazer entender direito, até porque tem sido difícil pra
mim mesma entender.
Busquei não
enxergar a culpa do outro em nenhum momento, olhando apenas para o que eu tenha
feito e foi um exercício difícil.
Mas, o que eu
estou tentando de forma tão desajeitada dizer é que diante da mágoa que causei,
ainda que sem querer, me descobri melhor do que supunha ser e visitar uma parte
de quem realmente sou me ajudou a moldar quem eu quero ser.
E eu quero
ser melhor. Por você que sempre me apoiou, pelos amigos que você me apresentou
e pelo que eles representam pra mim, por *Márcio, que eu desejo imensamente,
mais do que eu podia me imaginar capaz, que seja um homem digno, por todos que
cruzarão meu caminho e por mim, que sou merecedora de merecer o carinho de
alguém.
Te amo
profundamente. E por mais que sempre soubesse desse amor que vem de uma
essência que não sei nomear, somente ao vê-la ferida, pude mensurar esse
sentimento como sem medida e com isso merecedor de perdoar e pedir perdão e
ainda assim manter o coração limpo.
Então, quero
oficialmente te pedir perdão por ter te magoado num momento em que você
precisava apenas ser acolhida. Embora não tenha sido minha intenção, vejo que
naquele momento, opinar de forma tão agressiva e contrária se transformou em
algo ruim, de uma maldade que você não merecia e que considero que ninguém
mereça. Entendo que reproduzi algo que achava que era comum mesmo sabendo que
também iria me ferir se acontecesse. Peço perdão por ter que pedir perdão, por
não ter sido capaz de antes de te ferir, enxergar que estava estancando meu
sangramento com o sangue dos outros. Peço perdão por ter sido com você ao mesmo
tempo em que agradeço que tenha sido, já que de outra forma, não sei se seria
capaz de enxergar as coisas desse modo. Peço perdão pelo egoísmo em estar quase
feliz por ter vislumbrado uma cura para uma ferida própria através de um ferir
alguém que não merecia.