quarta-feira, 8 de novembro de 2017

De pai pra filha

Esta semana, uma paciente me mostrou o diálogo que teve com o pai no WhatsApp. Fiquei totalmente encantada com a delicadeza das palavras, e como ele - que está em outro país - conseguiu abraçar sua filha através da forma sábia e amorosa que falou com ela. O diálogo segue abaixo. 

O pai (André*) pergunta como a filha (Carol*) está, e ela diz: 

CAROL: Meio bem, meio bosta. Achei que estar na faculdade me responderia o que eu deveria fazer da vida, mas não é o que acontece. E eu tenho um problema que é: eu sei o que tenho que fazer pra viver nessa sociedade que criamos, mas ao mesmo tempo não consigo me importar o suficiente, uma vez que só estamos no mundo por tão pouco tempo. Porque eu devia seguir um sistema em que na maior parte do tempo eu não faço o que quero pra morrer pouco tempo depois? Aí fico meio blá…

E aí o pai respondeu:

ANDRÉ: Entendo o que você diz sobre a vida ser tão curta, mas é bastante longa para fazer um monte de coisas! Quando eu tinha a sua idade comecei a escrever peças e romances pois achava que era o melhor que eu poderia fazer desse tempo curto! Hoje só quero ter um emprego decente para trazer você, Paulo* e Laís* para estudarem aqui e escrever peças e romances em francês, pois a vida é muito curta mesmo. Em relação ao sistema, como você mesma viu, somos nós que o construímos, então escolher onde e como atuar é forçoso. Não escolher é deixar que outros o escolham por você e contribuir para o que há de pior no sistema. Uma das ideias que me fizeram escolher artes ao invés de engenharia, quando eu tinha sua idade, foi uns versos que diziam: " neste circo, eu prefiro ser palhaço". E você?! Neste circo, prefere ser o quê?!

CAROL: Você é o melhor pai do mundo, sabia? Obrigada, estou pensando no que fazer na vida. Quando eu souber, te digo.


ANDRÉ: Um grande beijo! Tente achar algo pelo qual valha a pena brigar; algo que te dê luz e prazer ou que, mesmo quando não parece a coisa mais genial do mundo, você prefere a um monte de outras. Esqueça o que todo mundo pensa ou vai pensar (de ruim ou de bom), concentre-se sobre você mesma fazendo aquilo, usando seu pouco tempo de existência para realizá-lo. Dinheiro, reconhecimento, espanto, horror social, lisonjas ou ataques, esqueça tudo mais e faça simplesmente o melhor que puder dentro das condições que a vida te der. E, se precisar de ajuda, conte com as pessoas que você sabe que te ama! De vez em quando, mas de vez em quando mesmo!, não faça nada. Dê um tempo ao tempo! E também de vez em quando simplesmente ajude os outros no que puder, ajude todo mundo mas principalmente as pessoas que você sabe que sempre estarão lá se você precisar!


* Todos os nomes foram alterados para proteger a identidade das pessoas citadas.




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