terça-feira, 21 de maio de 2013

C. R. L. - Sobre a Técnica das bolinhas

Durante minha terapia com Dra. Yasmine, tive uma experiência em saber as matérias que mais gostava de estudar, as que eu achava fáceis marquei com 1 bolinha, as que achava médias marquei com 2 bolinhas, e as que achava mais difíceis marquei com 3 bolinhas, e depois com isso arrumamos um plano de estudos. Foi uma ótima experiência porque pude analisar quais matérias me identificava mais, e me motivou a gostar mais dos estudos. Agradeço a Dra. Yasmine por esse acompanhamento .

sábado, 18 de maio de 2013

F. S. A. - A ponte

A minha vida se transformou. Atravessei uma ponte. Durante a caminhada, dar alguns passos era a coisa mais difícil do mundo. A ponte balançou, por vezes pensei que fosse cair, mas uma voz sempre me acompanhava e me mantinha firme, persistente. Atravessei essa ponte, com tudo, com dor, com medo, com lágrimas. E cheguei. Terra firme! Sorri! Sorri como nunca havia sorrido antes, sorri leve. Por uma situação na minha vida, em um ponto específico, pude me dar conta do quanto esse ponto específico pode revelar muito de alguém. Muito de mim. Comportava-me como um expectador facilmente manipulável. Um não agente na vida. Uma gota levada na onda. Não sabia disso, pois nunca havia experimentado estar em posições dominadoras, responsáveis e de influência, antes. Com algumas resistências, primeiro aceitei. Depois disso, passei a observar e analisar o que me fazia viver sentimentos desagradáveis para enfim desfazê-los. Então consegui arrancar a raiz do desconforto e passei a me sentir com muita energia, com vontade de fazer as coisas, viver. A ajuda profissional foi fundamental para o sucesso do processo e a eterna gratidão vem no pacote.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A. S. F. - Sobre o Transtorno Bipolar

Fui diagnosticada com transtorno do humor bipolar há 8 anos. Tomo lítio e um neuroléptico e visito regularmente uma psiquiatra. Estou estável e levo a vida sem nenhum sintoma da doença. É complicado falar sobre sintoma, pois para muitas pessoas, compulsão por compras, agitação, desinibição, irritação, e inquietude podem ser facilmente confundidos como características da pessoa e não uma fase maníaca. Assim como melancolia, lentidão e tristeza na fase depressiva. A intensidade é o que dita a diferença. Quando em crise maníaca já achei que tudo que acontecia em volta era algum tipo de sinal para minha vida. Desde a locução do rádio à intensidade do vento ou as cores da roupa do cara que andava na pista, tudo, tudo mesmo era um sinal, minha cabeça ficava à mil. Briguei com pessoas que amo, a briga existiria, mas não na intensidade e da forma que ocorreram. Ainda não consegui concluir minha graduação, aos 26 anos, me pergunto até onde é minha culpa, até onde a culpa é da doença. Esse, na verdade é o grande dilema pra mim: o que sou eu e o que é a doença? Cheguei a ser internada numa clínica psiquiátrica, durante 4 vezes . Confusão, estigma, raiva, revolta, vergonha e medo. É difícil voltar a vida depois de uma internação. Passei por muitas situações desagradáveis, complicadas e que gostaria profundamente de esquecer. O auto-conhecimento é essencial para uma estabilização duradoura, além, claro, das recomendações de praxe (rotina do sono, medicamento...). Demorei para aceitar e querer lidar com a doença, mas é inevitável, ou se deixa levar por ela desconstruindo sua vida ou se aprende a controlá-la e viver de forma estável, para construir a vida que se quer.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

L. M. S. - A brand new me

Sou uma mulher de 34 anos, tenho uma filha de 4 anos e busquei a terapia para resolver a minha vida afetiva. Estava em um casamento há quase 8 anos, onde meu parceiro era muito dominador, manipulativo e exigente com relação aos meus comportamentos. Sentia-me infeliz e sufocada pelo relacionamento carregado de violência psicológica, e forçada a viver uma vida que não escolhi. A terapia, inicialmente, era apenas para me ajudar a resolver esta questão afetiva. Contudo, as perguntas iniciais me fizeram adentrar em aspectos muito maiores da minha vida. Como cheguei até aqui? Por que mantenho esta relação? O que fazer para sair dela? Com o passar do tempo, passei a me reconhecer como uma pessoa passiva, que aceitava tudo com muita resignação. Acreditava que apenas no olhar do outro seria reconhecida enquanto mulher. No início da minha jornada, achava que poderia voltar ser “chuva” apenas com a presença do outro – como já dizia Gadu e Kyari: “Quando já não tinha espaço, pequena fui / Onde a vida me cabia apertada / Em um canto qualquer acomodei / Minha dança, os meus traços de chuva / E o que é estar em paz / Pra ser minha e assim ser tua”. Eu não queria ser apenas minha... Mas que incoerência! Fui me transformando com o passar do tempo, reunindo os pedacinhos de mim espalhados pela minha trajetória de vida. Me reconstruí e me encontrei novamente, não no olhar do outro, mas dentro de mim mesma. Deixei de ser passiva e hoje vivo feliz as consequências das minhas escolhas – sejam elas quais forem. Deixei de ser “chuva” e passei a ser “A brand new me”, como Alicia Keys – “It took a long road to get here / It took a brave girl to try (…) I'll never be perfect, but at least now I'm brave / Now, my heart is open And I can finally breathe / Don't be mad / It's just the brand new kind of free / That ain't bad, I found a brand new kind of me.”

quarta-feira, 8 de maio de 2013

L. C. M. - Sobre o ciúme

Como pode alguém, em pleno domínio da razão, de repente perder o controle e se ver mergulhado em uma crise da qual não conhece? O fato de não conhecer só te faz pensar em uma coisa: não tem saída. Não há forma de enfrentar esse monstro. Creio que esse é, via de regra, o motivo que leva as pessoas à terapia. Comigo foi assim. Logo eu, que não me lembrava de ter sentido ciúme em nenhuma das minhas relações, me peguei em pleno desequilíbrio por algo sem razão e sem precedentes na minha história. O fato de ser algo sem precedentes foi exatamente o que me levou à crise, pois, como vim a saber depois, aquilo era um esquema pré-existente que se encontrava em repouso e foi ativado por uma situação nova. Como saber disso me ajudou? Bom, aí entra uma série de questões sobre nosso "advogado de defesa" interior, nossa forte tendência em se auto-boicotar, nossa injusta forma de hiper valorizar o passado, projetar excessivamente o futuro e esquecer que a vida real é o presente e mais nada. Claro que o passado existe e nos serve de parâmetro para definir eventuais lacunas que o presente deixa, por ser este muito fugaz. Do mesmo modo, sem pensar no futuro estaríamos todos fadados ao insucesso pela falta de perspectiva. Entretanto, é necessário modular cada uma dessas circunstâncias e dar a elas o devido valor ou, invariavelmente, entraremos em crise. Como para qualquer emoção na vida, não existe cura para ciúme. Difícil encarar isso? Não deveria. Ciúme é inato, assim como qualquer sentimento o é, e essa pluralidade de emoções, pode acreditar, é o que nos torna humanos. Entretanto, e isso é o mais importante, ciúme tem botão seletor e é plenamente regulável, como toda e qualquer emoção, desde que você aprenda a origem do pensamento que gera o ciúme - o pensamento automático - e assim consiga constranger a emoção subsequente, interrompendo um círculo vicioso de pensamento, emoção subsequente, ação "protetiva" e reação. Como isso funciona? Aí entra a importância da terapia. Ser conduzido por um profissional é algo que não tem preço, de verdade. Você deixaria um amigo te operar? É a mesma coisa com o terapeuta, só ele tem a chave de acesso ao nosso pouco explorado interior. Amigos são cúmplices, na maioria dos casos, pois são grandes conselheiros, querem nosso bem e acabam, por isso, validando nossos erros e potencializando aquele esquema ativado, mencionado no começo deste relato. Então, voltando ao como funciona, até tenho essa resposta, mas não sou o mais indicado a dá-la. Poderia estar ilegalmente exercendo outra profissão e com grande risco de errar por não te conhecer. Só posso te dizer duas coisas. Primeiramente é que hoje me conheço como nunca e continuo no processo de auto-conhecimento, pois aprendizado não é passageiro e tudo o que é dito em sessão deve lhe servir de parâmetro em tantas outras situações da vida; segundo: terapia funciona.

Saudações aos navegantes

Olá! Começo já dizendo que este espaço não pertence a mim... Aqui, minha participação será basicamente de espectadora. O objetivo deste blog é criar um espaço para que a experiência pessoal de alguns pacientes possa enriquecer a vivência de muitos outros. Todos aqueles que desejarem, poderão deixar aqui seus depoimentos, compartilhando com outras pessoas suas experiências. Já faz algum tempo que tenho vontade de fazer isso... Muitas vezes, ao escutar a história de uns, vou me recordando de outros, e sempre me ocorre que se vocês pudessem falar entre si, esta troca seria muito intensa e duradoura. Assim, obviamente vale aqui a regra fundamental da terapia: o SIGILO. Todas as postagens serão anônimas, e de preferência, também os comentários. Portanto, está aqui dada a terra... Estou aguardando tudo que vocês quiserem semear!