quinta-feira, 9 de maio de 2013

L. M. S. - A brand new me

Sou uma mulher de 34 anos, tenho uma filha de 4 anos e busquei a terapia para resolver a minha vida afetiva. Estava em um casamento há quase 8 anos, onde meu parceiro era muito dominador, manipulativo e exigente com relação aos meus comportamentos. Sentia-me infeliz e sufocada pelo relacionamento carregado de violência psicológica, e forçada a viver uma vida que não escolhi. A terapia, inicialmente, era apenas para me ajudar a resolver esta questão afetiva. Contudo, as perguntas iniciais me fizeram adentrar em aspectos muito maiores da minha vida. Como cheguei até aqui? Por que mantenho esta relação? O que fazer para sair dela? Com o passar do tempo, passei a me reconhecer como uma pessoa passiva, que aceitava tudo com muita resignação. Acreditava que apenas no olhar do outro seria reconhecida enquanto mulher. No início da minha jornada, achava que poderia voltar ser “chuva” apenas com a presença do outro – como já dizia Gadu e Kyari: “Quando já não tinha espaço, pequena fui / Onde a vida me cabia apertada / Em um canto qualquer acomodei / Minha dança, os meus traços de chuva / E o que é estar em paz / Pra ser minha e assim ser tua”. Eu não queria ser apenas minha... Mas que incoerência! Fui me transformando com o passar do tempo, reunindo os pedacinhos de mim espalhados pela minha trajetória de vida. Me reconstruí e me encontrei novamente, não no olhar do outro, mas dentro de mim mesma. Deixei de ser passiva e hoje vivo feliz as consequências das minhas escolhas – sejam elas quais forem. Deixei de ser “chuva” e passei a ser “A brand new me”, como Alicia Keys – “It took a long road to get here / It took a brave girl to try (…) I'll never be perfect, but at least now I'm brave / Now, my heart is open And I can finally breathe / Don't be mad / It's just the brand new kind of free / That ain't bad, I found a brand new kind of me.”

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