quinta-feira, 16 de maio de 2013

A. S. F. - Sobre o Transtorno Bipolar

Fui diagnosticada com transtorno do humor bipolar há 8 anos. Tomo lítio e um neuroléptico e visito regularmente uma psiquiatra. Estou estável e levo a vida sem nenhum sintoma da doença. É complicado falar sobre sintoma, pois para muitas pessoas, compulsão por compras, agitação, desinibição, irritação, e inquietude podem ser facilmente confundidos como características da pessoa e não uma fase maníaca. Assim como melancolia, lentidão e tristeza na fase depressiva. A intensidade é o que dita a diferença. Quando em crise maníaca já achei que tudo que acontecia em volta era algum tipo de sinal para minha vida. Desde a locução do rádio à intensidade do vento ou as cores da roupa do cara que andava na pista, tudo, tudo mesmo era um sinal, minha cabeça ficava à mil. Briguei com pessoas que amo, a briga existiria, mas não na intensidade e da forma que ocorreram. Ainda não consegui concluir minha graduação, aos 26 anos, me pergunto até onde é minha culpa, até onde a culpa é da doença. Esse, na verdade é o grande dilema pra mim: o que sou eu e o que é a doença? Cheguei a ser internada numa clínica psiquiátrica, durante 4 vezes . Confusão, estigma, raiva, revolta, vergonha e medo. É difícil voltar a vida depois de uma internação. Passei por muitas situações desagradáveis, complicadas e que gostaria profundamente de esquecer. O auto-conhecimento é essencial para uma estabilização duradoura, além, claro, das recomendações de praxe (rotina do sono, medicamento...). Demorei para aceitar e querer lidar com a doença, mas é inevitável, ou se deixa levar por ela desconstruindo sua vida ou se aprende a controlá-la e viver de forma estável, para construir a vida que se quer.

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