sexta-feira, 15 de maio de 2015

T. R. J. R. - Será que eu vou passar mal?

Aqui estou sentada tomando café da manhã e lembrando da minha semana de aventuras: a ida ao shopping, à padaria , ao supermercado (Será que a fila estará grande? Será que vou passar mal na fila? As pessoas vão ver?) Pois, esses são os pensamentos de uma paciente de 24 anos com agorafobia. Parece que uma simples ida à panificadora ou supermercado é um desafio. Esse é o meu mundo, uma estudante de 24 anos que trancou a faculdade porque não conseguia entrar na sala, e ter que conviver com outras pessoas; uma menina que não viaja com medo de passar mal em algum lugar, principalmente avião, ou até mesmo no banco de trás de um carro.


Às vezes imagino que sou a única pessoa no mundo passando por isso, mas a Drª. me disse que não, ainda bem que tem mais “fobinhos” pelo mundo. A união faz a força, pelo menos é a primeira vez que estou tendo a sensação de que os humanos não são diferentes um dos outros, na loucura eles são iguais. 

A agorafobia é a sensação de esquiva, é aquela mania besta que temos de ficar imaginando e pensando mil e uma loucuras em apenas 1 minuto, é aquela sensação de entrar no elevador e não imaginar se ele irá cair, ou quebrar , e sim imaginar de passar mal dentro do elevador. A nossa mente é tão brilhante que realmente passamos mal, nossa! Já vomitei varias vezes, de ansiedade mesmo, em ver a pessoa que gostava, ou por ter que passar por alguma situação pela qual já havia passado e não foi boa, ou até mesmo por estar em determinado lugar, por algum motivo que só um agorafóbico conhece. Depois do mal estar vem a culpa, por ter passado mal por alguma “besteira” (considerado pelas pessoas que não estão passando pelo problema). Pois meu amigo(a), fique feliz, existem médicos para isso e a cura deve existir, e não depende só do médico e dos remédios, mas sim de você mesmo. 

Já pensei em desistir algumas vezes do tratamento, mas já recusei antes o tratamento e a situação só piora, então, “se ficar o bicho pega, e se correr o bicho come”. Não deixe essa fase ruim tomar conta de você, é só uma fase, todo ser humano vai passar por algum desafio na vida, seja físico, mental ou financeiro. A vida nos dá a oportunidade de vencer desafios a cada manhã, olha que bom, já pensou se não tivéssemos a oportunidade de lutar?

3 comentários:

  1. T.R.J.R, tenha certeza que existe muito mais do que nossa vã filosofia admite.
    Pessoas que carregam seus medos e angustias sozinhas pq tem vergonha de mostrar fragilidade . Todos temos nossas angustias em menor ou maior escala. O importante é conhecer o tamanho do elefante que fabricamos em nossa mente. Faço parte do time e a cura existe. Basta se permitir á luta.

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  2. Lena tocou numa questão importantíssima: a VERGONHA. No fim das contas, a vergonha também é um medo (medo da exposição e da consequente avaliação negativa) e assim entra também no balaio das emoções que ligam o interruptor da agorafobia. Este interruptor, por sinal, tem nome: é a amígdala cerebral. A percepção errônea ou exagerada dos eventos manda uma espécie de alarme para a amígdala, que por sua vez ativa o sistema de luta e fuga. Reside aí um desafio extra para os agorafóbicos: não podem lutar nem fugir, pois o inimigo não mora ao lado - mora dentro. Porém a adesão precoce a um tratamento adequado pode trazer melhoras significativas e - quem sabe? - afastar para sempre estes fantasmas.

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  3. TR quando se enfrenta uma batalha o mais importante não é o resultado dela, se ganhamos ou perdemos, o mais importante é que tomamos coragem e lutamos é isso que nos torna fortes para enfrentar as próximas lutas. Lute sempre e quando menos esperar será uma grande vencedora.

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